Chorar é bom, mesmo sem motivo. É botar para fora tudo aquilo que fica entalado na garganta, que amarra o coração e que perturba os pensamentos, silenciosamente. O choro alivia a alma.
Chorar porque está triste, porque tem raiva, porque é feliz demais. Chorar simplismente por chorar, e nada mais. Chorar.
Sou uma chorona, confesso. Daquelas que choram até em comercial de leite em pó. Meu travesseiro guarda as marcas de muitas lágrimas derramadas ao cair da noite. Lágrimas de ciúme, de arrependimento, de amor, de solidão, de contentamento, de medo, de felicidade.
Lembro de uma conversa com ele, em uma caminhada recheada de lembranças, onde me contou que dificilmente chorava. Sofrer, perder, repetidamente e em curto espaço de tempo secam as lágrimas, cria uma espécie de barreira contra o sofrimento, é verdade. Mas colocar tudo pra fora, na forma de gotas salgadas faz bem. Choro por ti, então.
Lágrimas também aproximam. Quantas vezes meu colo, meu ombro não ficaram marcados com pequenas gotas derramadas por olhos alheios? Aliás, foi assim que conheci aquela que hoje chamo de irmã, assim que demonstrei que aquele amigo podia contar comigo, para tudo.
Lágrimas trazem sorrisos. Quantas vezes não vi meu pai recolhendo aquelas gotinhas que rolavam por minhas bochechas rosadas, e provando-as para ver se eram realmente salgadas? Ou fazendo cócegas em minha barriga, pé, pescoço, pernas, mindinho, orelha.... até eu parar de chorar e dar aquela gargalhada gostosa? Inúmeras...
Lágrimas também podem engordar. Afinal, quem de vocês, mulheres, nunca, ao se sentir deprimida, frustrada ou chorosa não se entupiu de chocolate e sorvete vendo aquele filminho que escorria água com açúcar só para chorar um pouco mais?
Confesso que gosto de chorar, pois me sinto leve e mais calma depois. Confesso que ainda tenho muitas lágrimas a derramar, acompanhadas ou não de um sorriso, e espero que a fonte não seque tão cedo.
[Escrevendo cada vez pior. Preciso de Férias. URGENTEMENTE]
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Confesso
Texto redigido em alguma quarta feira das primeiras semanas de outubro, na última página de um caderno de matemática.
Confesso que estou escrevendo isso durante uma aula de Instalações Hidráulicas e Sanitárias, confesso que hoje não consigo me concentrar, em nada. Confesso que hoje quero que ninguém converse comigo, confesso que quero colo de mãe, abraço de pai, sorriso de irmão. Confesso que estou com a mania de falar mal das pessoas, o tempo todo. Tenho que parar.
Confesso que quero, quero muita coisa. Quero chocolate, muito chocolate, mas não quero espinhas nem quilos extras. Confesso que quero deitar na grama e olhar o céu. Deitar na rede e ver seus pés, dormir escutando aquele coração... Ah, eu confesso.
Confesso que pareço criança, e não paro de reler as palavras dele. Ah, é sempre ele. É só ele. Confesso que muitas vezes não percebo que só falo sobre mim. Confesso.
Confesso que tenho muito mais a confessar.
Micos, erros, falsas amizades. Brigas, lágrimas. Piadas, sorrisos, tombos. Beijos, olhares.
É, confesso.
Confesso que não sou a melhor das pessoas, mas tento ser o melhor de mim.
Confesso que peco. Gula, vaidade, ira, avareza.
Enfim,
CONFESSO QUE VIVO.
Confesso que estou escrevendo isso durante uma aula de Instalações Hidráulicas e Sanitárias, confesso que hoje não consigo me concentrar, em nada. Confesso que hoje quero que ninguém converse comigo, confesso que quero colo de mãe, abraço de pai, sorriso de irmão. Confesso que estou com a mania de falar mal das pessoas, o tempo todo. Tenho que parar.
Confesso que quero, quero muita coisa. Quero chocolate, muito chocolate, mas não quero espinhas nem quilos extras. Confesso que quero deitar na grama e olhar o céu. Deitar na rede e ver seus pés, dormir escutando aquele coração... Ah, eu confesso.
Confesso que pareço criança, e não paro de reler as palavras dele. Ah, é sempre ele. É só ele. Confesso que muitas vezes não percebo que só falo sobre mim. Confesso.
Confesso que tenho muito mais a confessar.
Micos, erros, falsas amizades. Brigas, lágrimas. Piadas, sorrisos, tombos. Beijos, olhares.
É, confesso.
Confesso que não sou a melhor das pessoas, mas tento ser o melhor de mim.
Confesso que peco. Gula, vaidade, ira, avareza.
Confesso que me arrependo.
Confesso que amo, e amo muito.Enfim,
CONFESSO QUE VIVO.
. . .
Tentar, tentar e tentar inúmeras vezes colocar as palavras para serem vistas. Inutilmente.
Por que parece tão mais fácil escrever quando há angústia aqui dentro?
"There's no combination of words I can put in a back of a postcard,
no song that I can sing,
but I can try for your heart..."
Por que parece tão mais fácil escrever quando há angústia aqui dentro?
"There's no combination of words I can put in a back of a postcard,
no song that I can sing,
but I can try for your heart..."
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
again.
Você poderia ter se afastado pra sempre, ter ido embora de verdade. Poderia nunca mais ter me olhado daquele jeito, eu logo esqueceria tudo. Você poderia ter ido buscar outras, você poderia ter ficado por lá. Você poderia.
Doeu, mas já não doía mais.
Você poderia ter me esquecido, poderia ter me deixado de lado, apagado meu número, meu nome, meu rosto. Você poderia fazer o que você disse que precisava fazer. Poderia ter esquecido tudo o que foi feito e que foi dito. Eu ficaria bem. Eu estava bem.
Você devia ter esquecido, apagado, procurado e encontrado.
Doeu quando você foi, mas já não doía mais.
Você devia ter parado de frequentar meus sonhos. Devia ter parado de me fazer pensar em como você estava. Você devia.
Eu já não pensava mais, já não sonhava mais.
Doeu.
Eu sabia que poderia ser, mas você disse que não seria.
Eu entendi. Entendi, e doeu.
Mas agora, só agora?
Agora é tarde.
Doeu, mas já não doía mais.
Você poderia ter me esquecido, poderia ter me deixado de lado, apagado meu número, meu nome, meu rosto. Você poderia fazer o que você disse que precisava fazer. Poderia ter esquecido tudo o que foi feito e que foi dito. Eu ficaria bem. Eu estava bem.
Você devia ter esquecido, apagado, procurado e encontrado.
Doeu quando você foi, mas já não doía mais.
Você devia ter parado de frequentar meus sonhos. Devia ter parado de me fazer pensar em como você estava. Você devia.
Eu já não pensava mais, já não sonhava mais.
Doeu.
Eu sabia que poderia ser, mas você disse que não seria.
Eu entendi. Entendi, e doeu.
Mas agora, só agora?
Agora é tarde.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Mar, mulher.

"Aí está ele, o mar, a mais ininteligível das existências não humanas.
E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos."
E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos."
Clarisse Lispector
O mar... Para mim, a existência mais bela. O encantador em forma de ondas, o encantador em azul, em verde...
O balanço perfeito entre o belo e o perigoso, entre o desejo e o medo, a paixão e o risco.
O mar... tão grande, imenso, profundo... e cabe dentro dos seus olhos.
O mar... tão grande, imenso, profundo... e cabe dentro dos seus olhos.
O mar, berço da Vida.
O mar... meu refúgio, minha fonte de energia, meu veículo de renovação.
As vezes penso que o mar é meu melhor amigo. Ele me acolhe, me escuta, recolhe minhas lágrimas salgadas junto as suas. Ri do meu sorriso, acaricia meus cabelos, brinca de pega-pega, esconde-esconde... e como todo melhor amigo tem seus dias de calmaria e tormenta...
O mar... tão próximo de mim mesma que o chamo de meu. Meu mar.
A mulher...
Não seria a mulher como o mar?
Bela, perigosa... Fonte de desejo, de medo.
Ser imprevisível, repleto de momentos de tormenta e calmaria.
A mulher, coração aberto para acolher quem for preciso, coração de mãe.
A mulher, berço da Vida.
A mulher... também minha melhor amiga, em diversas formas...
A mulher nas amigas, na mãe, nas avós, na quase irmã, a mulher do outro lado do espelho.
A mulher nas amigas, na mãe, nas avós, na quase irmã, a mulher do outro lado do espelho.
A mulher, tão próxima do que sou que chamo de Eu.
A mulher, o mar.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
... milhares de sensações ...
Tão sinceros e tão curiosos, hipnotizantes, penetrantes.
Planaltos e planícies onde posso correr tranquila e segura,
Florestas outonais onde posso me esconder,
Carvalhos nos quais posso me abrigar,
Um mar de Coca Cola para me deliciar.
Penhascos e labirintos nos quais quero me perder, chegar ao fundo, ir além.
As janelas abertas para o crepúsculo, pequenas estrelas que brilham intensamente.
Meu conforto, meu porto seguro.
Teus olhos, em muitos tons, meu melhor espelho.
Teus olhos que sorriem, teus olhos que mergulham nos meus e me devoram.
Meus olhos que amam os teus.
Meus olhos, teus olhos.
Teus olhos que abraçam, teus olhos que beijam,
Teus olhos que se afogam no meu mar.
Teus olhos, teus olhares, milhares de sensações...
Planaltos e planícies onde posso correr tranquila e segura,
Florestas outonais onde posso me esconder,
Carvalhos nos quais posso me abrigar,
Um mar de Coca Cola para me deliciar.
Penhascos e labirintos nos quais quero me perder, chegar ao fundo, ir além.
As janelas abertas para o crepúsculo, pequenas estrelas que brilham intensamente.
Meu conforto, meu porto seguro.
Teus olhos, em muitos tons, meu melhor espelho.
Teus olhos que sorriem, teus olhos que mergulham nos meus e me devoram.
Meus olhos que amam os teus.
Meus olhos, teus olhos.
Teus olhos que abraçam, teus olhos que beijam,
Teus olhos que se afogam no meu mar.
Teus olhos, teus olhares, milhares de sensações...
sábado, 16 de agosto de 2008
Híbrido
Um híbrido.
Esta sou eu.
Olho meu rosto no espelho todos os dias e o que vejo não é mais o rosto daquela menina, ou daquelas meninas...
Não é mais o bebê de cabelos ruivos espetados e olhos azuis brilhantes,
Não é mais a pequena tímida de cabelos curtos, lisos e loiros, e dos olhos azuis,
Não é mais a quietinha garotinha dos cabelos lisos mechados de castanho e dourado e dos olhos ora de um azul profundo, ora de um verde brilhante ou de um cinza chuvoso,
Nem a compenetrada garota de curtos e ondulados cabelos castanhos dourados e olhos verdes penetrantes... Talvez dessa última reste ainda um pouco dos traços, mas o que vejo no espelho é a mulher na qual me tornei, na qual estou me tornando.
Os olhos ainda são verdes, o cabelo agora é longo, porém indeciso... Ora liso, ora cacheado, ora ondulado... Castanho, dourado, até ruivo no Sol. O rosto mudou, os traços se alinharam, e até a pequena batatinha que chamo de nariz agora passa despercebida.
Dou Boas Vindas a essa nova imagem!
Olhando mais atentamente, porém, vejo que ainda existe muito daquelas outras meninas em mim... O sorriso da pequena, o brilho no olhar da garota e da garotinha, o jeitinho manhoso da ruivinha. A menina que ainda resta em mim, que cultivo em mim.
Menina mulher.
Esta sou eu.
Em metamorfose, eterna metamorfose.
Um dia alcançarei a transformação completa?
Espero que não. Que eu seja mais mulher do que menina então,
mas que Cebolinha, Lilica, Sisirisi e Sibs nunca morram dentro de mim.
Esta sou eu.
Olho meu rosto no espelho todos os dias e o que vejo não é mais o rosto daquela menina, ou daquelas meninas...
Não é mais o bebê de cabelos ruivos espetados e olhos azuis brilhantes,
Não é mais a pequena tímida de cabelos curtos, lisos e loiros, e dos olhos azuis,
Não é mais a quietinha garotinha dos cabelos lisos mechados de castanho e dourado e dos olhos ora de um azul profundo, ora de um verde brilhante ou de um cinza chuvoso,
Nem a compenetrada garota de curtos e ondulados cabelos castanhos dourados e olhos verdes penetrantes... Talvez dessa última reste ainda um pouco dos traços, mas o que vejo no espelho é a mulher na qual me tornei, na qual estou me tornando.
Os olhos ainda são verdes, o cabelo agora é longo, porém indeciso... Ora liso, ora cacheado, ora ondulado... Castanho, dourado, até ruivo no Sol. O rosto mudou, os traços se alinharam, e até a pequena batatinha que chamo de nariz agora passa despercebida.
Dou Boas Vindas a essa nova imagem!
Olhando mais atentamente, porém, vejo que ainda existe muito daquelas outras meninas em mim... O sorriso da pequena, o brilho no olhar da garota e da garotinha, o jeitinho manhoso da ruivinha. A menina que ainda resta em mim, que cultivo em mim.
Menina mulher.
Esta sou eu.
Em metamorfose, eterna metamorfose.
Um dia alcançarei a transformação completa?
Espero que não. Que eu seja mais mulher do que menina então,
mas que Cebolinha, Lilica, Sisirisi e Sibs nunca morram dentro de mim.
Assinar:
Postagens (Atom)